Fé, cultura e resistência marcam o 3º Presente de Iemanjá na Praia da Graciosa

3º Presente de Iemanjá na Praia da Graciosa

Fé, cultura e resistência marcam o 3º Presente de Iemanjá na Praia da Graciosa

3º Presente de Iemanjá reúne comunidades de matriz africana, autoridades e sociedade civil na Praia da Graciosa, reafirmando fé, ancestralidade e liberdade religiosa no Tocantins.

3º Presente de Iemanjá transforma a Praia da Graciosa em território de celebração

Ao som dos atabaques, sob o brilho do sol tocantinense e diante das águas do Rio Tocantins, fé e ancestralidade marcaram a tarde deste sábado, 28, durante o 3º Presente de Iemanjá na Praia da Graciosa, em Palmas. Vestidos de branco, com balaios floridos nas mãos e cânticos que ecoavam pela orla, centenas de participantes transformaram o espaço em um grande território de celebração e resistência.

O 3º Presente de Iemanjá reafirmou a força das religiões de matriz africana no Estado e destacou a importância da liberdade de crença, reunindo filhos e filhas de santo, lideranças religiosas, coletivos culturais e representantes de instituições públicas.

Programação começou ao amanhecer

A programação do 3º Presente de Iemanjá teve início ainda ao amanhecer, no Terreiro de Candomblé Ilê Odé Oyá, com a tradicional alvorada, café coletivo e xirê. Ao meio-dia, a procissão seguiu em carreata até a Praia da Graciosa, levando balaios e presentes preparados pelas comunidades de terreiro.

No início da tarde, lideranças religiosas e autoridades participaram do momento institucional antes da entrega das oferendas às águas do Rio Tocantins, um dos pontos altos do 3º Presente de Iemanjá.

Resistência contra a intolerância religiosa

O coordenador-geral do evento, William Vieira, destacou o significado espiritual e social da celebração. Segundo ele, o 3º Presente de Iemanjá vai além do ritual religioso. “É um ato de afirmação da nossa identidade, de resistência e de luta contra a intolerância religiosa. Cada casa que está aqui representa uma história, uma ancestralidade e uma contribuição para a cultura do nosso estado”, afirmou.

A iniciativa integra o Primeiro Festival Cultural e de Geração de Renda, promovido pela Associação A Barraca, em parceria com o Terreiro Ilê Odé Oyá, com foco na valorização dos saberes tradicionais e no fortalecimento da economia criativa das comunidades de matriz africana.

Fé, cultura e desenvolvimento social

Para a presidente da ONG, Cinthia Abreu, o 3º Presente de Iemanjá representa a união entre fé, cultura e desenvolvimento social. “Nosso objetivo é unir espiritualidade e cidadania. Realizamos oficinas de formação, promovemos geração de renda e fortalecemos o diálogo institucional. Este evento mostra que tradição e direitos caminham juntos”, ressaltou.

A presença de instituições do sistema de justiça reforçou o caráter institucional da celebração. A procuradora do Ministério Público do Trabalho no Tocantins, Cecília Amália Cunha, destacou a importância do respeito à diversidade religiosa.

“A liberdade religiosa é um direito fundamental garantido pela Constituição. Apoiar iniciativas como o 3º Presente de Iemanjá é reafirmar o compromisso com a dignidade humana e com o combate à discriminação”, declarou.

Também presente, a defensora pública Franciana Di Fátima, coordenadora do Núcleo Especializado de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Tocantins, enfatizou o papel das instituições na proteção das comunidades tradicionais. Ela reforçou que a luta contra o racismo e a intolerância religiosa exige atuação conjunta e permanente.

Momento simbólico nas águas do Rio Tocantins

Após as falas institucionais, o xirê de praia reuniu filhos e filhas de santo, grupos de capoeira e coletivos culturais em uma grande roda ao som dos atabaques. Às 15h30, as embarcações seguiram para a entrega dos presentes nas águas do Rio Tocantins, momento de grande emoção e simbolismo.

O 3º Presente de Iemanjá consolida-se como uma das principais manifestações culturais e religiosas do Tocantins, promovendo espiritualidade, diálogo interinstitucional, valorização da cultura afro-brasileira e enfrentamento à intolerância religiosa.

Parcerias e realização

O projeto é realizado pela Associação A Barraca, em parceria com o Terreiro de Candomblé Ilê Odé Oyá, com apoio do Ministério Público do Trabalho no Tocantins. O evento contou ainda com parceria da Secretaria Estadual da Cultura do Tocantins, Secretaria Estadual de Igualdade Racial, Secretaria Municipal de Igualdade Racial e Direitos Humanos e o Coletivo Somos.

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