Aos sábados, de 15 em 15 dias, uma cena especial se repete em diferentes pontos de Palmas: crianças acompanhadas de seus responsáveis se reúnem para vivenciar momentos de leitura, escuta, criatividade e partilha. É o Clube da Leitura e Amizade, projeto idealizado e conduzido pela neuropsicopedagoga clínica Marília Sávia, que promove encontros gratuitos em praças, bibliotecas, parques e museus da capital tocantinense.
Criado em fevereiro de 2024, o clube já reúne, em média, mais de 10 famílias por encontro, sendo que algumas não faltam a nenhuma edição. Os encontros duram cerca de duas horas, com início sempre às 9h30 da manhã aos sábados, e terminam com um lanche coletivo entre os participantes. O local de cada nova edição é divulgado às quintas-feiras no perfil oficial do projeto no Instagram: @clubedaleituraeamizade.
Leitura desde a gestação
A paixão de Marília Sávia pelos livros nasceu com sua maternidade. Ainda na gestação, ela já lia para os filhos como forma de estímulo e conexão emocional. “A leitura desenvolve empatia, escuta, vocabulário. Meus filhos não tiveram dificuldades com o processo de alfabetização”, afirma.
A neuropsicopedagoga destaca que sua escolha é respaldada por estudos científicos. Uma pesquisa da Universidade Estadual de Ohio aponta que crianças cujos pais leem um livro por dia até os 5 anos de idade podem aprender até 1 milhão de palavras a mais do que aquelas que não recebem esse estímulo.
Um pequeno leitor medalhista
O filho mais velho de Marília, de apenas 10 anos, já leu mais de 359 livros. Alfabetizado em casa durante a pandemia, hoje ele lê livros de até 200 páginas em apenas dois dias. O garoto participou de uma competição nacional de literatura e conquistou medalhas com os livros O Mágico de Oz (2024) e O Pequeno Príncipe (2025). Ele também já foi convidado para palestrar em escolas sobre a importância da leitura.
Consultório e realidade social
Marília observa em seu consultório o impacto da ausência de leitura no desenvolvimento infantil. “Muitas crianças relatam que em casa ninguém lê. Isso impacta diretamente no vocabulário, criatividade, memória e atenção”, explica. Segundo ela, leitores têm melhor desempenho escolar, repertório mais amplo e desenvolvem empatia e concentração desde cedo.
Projeto que aproxima livros e famílias
O clube surgiu como resposta ao desafio de engajar as famílias e mostrar que a leitura pode ser prazerosa e divertida. Os encontros ocorrem em espaços como o Parque Cesamar, Praia da Graciosa, Parque dos Povos Indígenas, Museu Palacinho e Biblioteca do Sesc Norte — atualmente, a única da capital com seção infantil. Também há parcerias com livrarias locais.
As atividades incluem contação de histórias, dramatizações, brincadeiras, jogos educativos e leitura compartilhada. O encerramento é sempre marcado por um lanche coletivo entre as famílias.
Encontros que ganham novos espaços
Além dos locais fixos, o projeto vem expandindo suas ações. No sábado, 14 de junho de 2025, o clube promoveu um animado encontro na Praça Mosteiro de São Bento, na quadra 108 Norte. Crianças da região participaram de atividades com livros, fantoches e partilha de frutas sob as árvores da praça. O encontro reafirmou o compromisso do projeto com a democratização do acesso à leitura nos espaços públicos de Palmas.
Inclusão e transformação
O clube é inclusivo e recebe crianças de diferentes idades e perfis. Marília relata que muitas que antes resistiam à leitura agora contam os dias para o próximo encontro. Algumas, que apresentavam baixo rendimento escolar, hoje são destaques nas salas de aula.
O maior desafio, segundo ela, é convencer os pais a levarem os filhos: “As crianças dependem dos adultos para estarem presentes. É preciso que os pais compreendam que a leitura transforma não só o aprendizado, mas também o vínculo com os filhos.”
A força do livro impresso
Marília também defende o valor do livro físico. “Segurar, folhear, marcar passagens… tudo isso fortalece o vínculo com o texto. O livro impresso promove concentração, memória e pensamento crítico, além de permitir que o leitor se desconecte das distrações das telas.”
Exemplo e convite
Para quem quer começar, ela sugere: “Leve um livro com você, leia em voz alta, fale sobre o que leu com seus filhos. Frequentem bibliotecas e livrarias. E participem do Clube da Leitura e Amizade, o primeiro clube inclusivo de leitura do Tocantins”.
Os encontros são gratuitos, abertos ao público e divulgados semanalmente no Instagram @clubedaleituraeamizade.


