Filme Sobre Dora e Dores é exibido para comunidade do Assentamento Piracema
Moradores do Assentamento Piracema prestigiam a exibição prévia do longa Sobre Dora e Dores, produção tocantinense contemplada pela Lei Paulo Gustavo e filmada majoritariamente na comunidade rural.
O longa-metragem Sobre Dora e Dores, dirigido por Bell Gama e Kaká Nogueira, foi exibido para a comunidade do Assentamento PA Piracema, na zona rural de Marianópolis, no interior do Tocantins. A sessão integra o projeto “Produção de Longa-Metragem de Ficção”, patrocinado pela Lei Paulo Gustavo (Lei nº 195/22), por meio da Secretaria Estadual da Cultura, e marca o início da rota de pré-lançamentos antes da distribuição oficial do filme em festivais, mostras e posteriormente salas de cinema, televisão e plataformas de streaming, prevista para começar no segundo semestre de 2026.
Com 120 minutos de duração e classificação indicativa de 14 anos, o drama tem 80% de suas filmagens realizadas no próprio Assentamento Piracema, em setembro de 2025. Ambientada no sertão nortista entre as décadas de 1970 e 1980, a trama acompanha Dona Cota, interpretada pela premiada atriz Marcélia Cartaxo, uma benzedeira e carpideira que, já na velhice, torna-se mãe adotiva da menina Dora. A narrativa aborda temas como transmissão ancestral de saberes, maternidade fora do laço sanguíneo, vínculos comunitários e o enfrentamento cotidiano das dores e perdas no interior do país.
Participação ativa da comunidade
Durante a exibição, o diretor Kaká Nogueira destacou a importância da participação da população local na construção da obra. Segundo ele, mais de 100 moradores atuaram como figurantes ou integraram o núcleo principal do elenco, muitos deles sem qualquer experiência prévia com audiovisual. “Vale ressaltar que se trata de pessoas que nunca antes haviam tido contato com o universo do cinema”, afirmou.
Um dos jovens talentos revelados foi Karliel Santos, de 12 anos, morador do assentamento, que interpretou Dedé da Pinhola na primeira fase da história. Emocionado, ele compartilhou sua experiência inédita: “Eu me emocionei muito com o filme e não vejo a hora de assistir no cinema, que nunca fui. Vai ser a minha primeira vez. Gostei muito de participar das filmagens. Nunca esperava que um dia ia poder.”
Entendendo o filme: Sobre Dora e Dores
A diretora Bell Gama ressaltou que a produção movimentou a rotina da comunidade e gerou impacto econômico local, ao mesmo tempo em que exigiu colaboração coletiva. “É um lugar de gente muito simples, que teve a rotina afetada com a chegada da produção. Sabemos das contribuições trazidas à economia, mas foi necessário também que as pessoas colaborassem com silêncio durante as filmagens e tolerassem o aumento do fluxo de carros”, explicou.
Bell também enfatizou os desafios de produzir um longa-metragem no Tocantins, destacando que o projeto só se tornou viável graças ao incentivo da Lei Paulo Gustavo. Segundo ela, o filme representa um marco para o audiovisual local por ser o primeiro longa adaptado de uma obra literária no Estado, fortalecendo tanto o cinema quanto a literatura tocantinense.
Cinema como afirmação de identidade regional
Para Kaká Nogueira, filmar no Tocantins não foi apenas uma escolha técnica, mas uma decisão carregada de significado cultural. “É uma afirmação de pertencimento. O sertão nortista guarda memórias que precisam ser contadas, e o cinema é um instrumento potente para preservá-las e compartilhá-las com o mundo”, destacou.
Sobre o projeto
O longa é uma iniciativa do Grupo Cenaberta, em parceria com a Cena Filmes, patrocinada pelo edital de audiovisual da Lei Paulo Gustavo, via Secretaria Estadual da Cultura (Secult) e Ministério da Cultura (MinC). O projeto também conta com apoio institucional das Prefeituras de Marianópolis e Pium, além da Fundação Cultural de Palmas (FCP).


