Tocantins leva história e produção cultural à 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira
Tocantins na Bienal de Arquitetura Brasileira apresenta projeto que une memória, pioneirismo, artesanato e economia criativa para discutir identidade e território.
Tocantins na Bienal de Arquitetura Brasileira destaca identidade e território
O Tocantins participa da 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira com um projeto que propõe uma leitura sensível sobre sua própria formação. Em vez de apresentar apenas edifícios ou soluções urbanísticas, a proposta leva ao Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, uma reflexão centrada nas pessoas, nas trajetórias pioneiras e na produção cultural como elementos fundamentais para compreender o território tocantinense.
Assinado pelo arquiteto Marcus Garcia, o projeto foi selecionado para a Bienal, que ocorre entre 25 de março e 30 de abril. A representação do Tocantins integra o espaço dedicado ao Cerrado, bioma que simboliza transição e diversidade, reforçando o estado como território de encontros culturais e históricos.
Formação recente do Estado inspira o conceito
Criado oficialmente em 1988, o Tocantins é um dos estados mais jovens do Brasil. A juventude institucional contrasta com a intensidade do processo de ocupação de Palmas, capital planejada e construída em ritmo acelerado, que recebeu milhares de moradores quando grande parte da infraestrutura urbana ainda estava em consolidação.
Esse contexto histórico orienta o recorte adotado por Marcus Garcia. No projeto apresentado na Bienal, o arquiteto toma como referência a trajetória de sua mãe, Zuleide Dias da Silva, conhecida como Arlê, que chegou à capital em 1989, quando a cidade ainda funcionava como um grande canteiro de obras. A história pessoal representa a experiência de inúmeras famílias pioneiras que ajudaram a formar Palmas.
A proposta desloca o olhar da arquitetura como produto final para a arquitetura como experiência cotidiana. O pioneirismo é apresentado como construção diária, adaptação constante e formação de vínculos em um território em desenvolvimento.
Artesanato e economia criativa ampliam o debate
O projeto também incorpora a cadeia produtiva cultural do Tocantins. Estão presentes peças de artesanato produzidas por associações de comunidades como Mumbuca, Lajeado, Tocantínia e Taquaruçu, além de obras de artistas plásticos de diferentes regiões do estado.
A proposta envolve ainda profissionais liberais, microempreendedores, designers de interiores e arquitetos, reforçando que a cultura no Tocantins não é apenas expressão simbólica, mas também fonte de trabalho e renda. Ao inserir esses elementos em uma Bienal de Arquitetura, o projeto amplia a compreensão do que significa produzir espaço e identidade.
Cerrado como território de encontros
Na curadoria da Bienal, os estados foram organizados conforme os biomas brasileiros. O Tocantins ocupa o espaço dedicado ao Cerrado, bioma de transição que contextualiza o estado como ponto de encontro entre regiões, práticas culturais e modos distintos de ocupação.
Ao integrar a programação de um evento de alcance nacional, o Tocantins amplia sua presença no debate contemporâneo sobre arquitetura e urbanismo. A proposta articula história recente, produção cultural e economia criativa para afirmar que, mesmo jovem, o estado reúne narrativas capazes de dialogar com diferentes realidades do País, demonstrando que arquitetura também fala de pessoas, memória e pertencimento.

Projeto do Tocantins apresentado na 1ª Bienal de Arquitetura Brasileira propõe reflexão sobre identidade, memória e território.
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