BNDES Tocantins
O BNDES Tocantins bloqueou R$ 46,9 milhões em financiamentos rurais após identificar indícios de desmatamento ilegal em propriedades que solicitaram crédito entre 2023 e 2026.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) evitou a liberação de R$ 46,9 milhões em financiamentos rurais para produtores com propriedades que apresentavam indícios de desmatamento ilegal no Tocantins entre fevereiro de 2023 e abril de 2026. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 3, durante a programação da Semana do Meio Ambiente e fazem parte do sistema de monitoramento ambiental realizado em parceria com o MapBiomas.
De acordo com o balanço, foram identificados 65 alertas ativos relacionados a possíveis irregularidades ambientais em propriedades rurais tocantinenses. O número representa 3,4% das solicitações de crédito rural encaminhadas ao banco no período. Em termos financeiros, o volume de recursos bloqueados corresponde a 2,4% do total de crédito solicitado por produtores rurais do estado nos últimos três anos.
A medida integra uma política de controle ambiental adotada pelo BNDES para impedir que recursos públicos financiem atividades associadas ao desmatamento ilegal. O monitoramento utiliza tecnologia de georreferenciamento, imagens de satélite e cruzamento de dados ambientais para identificar possíveis irregularidades nas áreas que solicitam financiamento.
BNDES Tocantins utiliza tecnologia para fiscalização ambiental
O sistema desenvolvido pelo banco em parceria com o MapBiomas permite acompanhar a situação ambiental das propriedades rurais que buscam acesso às linhas de crédito.
Quando são detectados indícios de desmatamento sem comprovação de regularidade ambiental, a solicitação é bloqueada até que o produtor apresente documentação que demonstre a legalidade da intervenção realizada.
O objetivo é garantir que os recursos destinados ao desenvolvimento agropecuário sejam direcionados apenas a empreendimentos que cumpram a legislação ambiental brasileira.
Segundo o BNDES, a política faz parte do compromisso da instituição com a sustentabilidade e com o combate às mudanças climáticas.
BNDES Tocantins acompanha estratégia nacional
O levantamento mostra que a situação observada no Tocantins acompanha uma estratégia nacional de controle ambiental do crédito rural.
Em todo o país, o BNDES deixou de liberar aproximadamente R$ 1,1 bilhão em financiamentos para propriedades com alertas ativos de desmatamento ilegal entre fevereiro de 2023 e abril de 2026.
Durante esse período, foram registrados 5.592 alertas ativos em propriedades rurais que solicitaram financiamento.
O número representa cerca de 1% das 551,7 mil solicitações de crédito rural recebidas pelo banco no período.
Os dados incluem operações realizadas por meio dos programas agropecuários do Governo Federal com juros equalizados, da linha BNDES Crédito Rural e demais operações classificadas pelo Banco Central como crédito agrícola.
Desde o início da parceria entre BNDES e MapBiomas, o volume de recursos evitados para propriedades com indícios de irregularidades ambientais equivale a quase R$ 1 milhão por dia em financiamentos que deixaram de ser contratados.
Produção sustentável recebe apoio do BNDES Tocantins
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que a instituição continua sendo uma importante parceira do agronegócio brasileiro, mas reforçou que o apoio financeiro está condicionado ao cumprimento das normas ambientais.
Segundo ele, o banco prioriza produtores comprometidos com práticas sustentáveis e responsáveis.
“O BNDES é um grande parceiro do agronegócio e valoriza a produção sustentável e ética no campo brasileiro, mas não é complacente com o agronegócio que destrói o meio ambiente. O banco apoia os produtores que são sustentáveis e inovadores. A tecnologia e uma governança rígida nos permitem atuar com agilidade e precisão na análise do crédito e atender à urgente agenda de enfrentamento das mudanças climáticas. O tempo do crédito para o agro que desmata já passou”, afirmou.
Norte e Nordeste lideram indicadores
O levantamento também aponta diferenças entre as regiões brasileiras.
As regiões Norte e Nordeste registraram os maiores percentuais de bloqueio em relação ao volume de crédito solicitado.
No Norte, o volume de financiamentos evitados correspondeu a 1,7% dos R$ 6,2 bilhões solicitados.
No Nordeste, o percentual foi semelhante sobre um montante de R$ 7,8 bilhões.
A região Nordeste também apresentou a maior proporção de alertas ativos de desmatamento ilegal, alcançando 3% das mais de 13,6 mil solicitações analisadas.
Já o Sudeste apresentou os menores índices do país, com bloqueio de apenas 0,5% dos R$ 23 bilhões solicitados e alertas em 0,4% das operações.
No Centro-Oeste, foram bloqueados 0,7% dos R$ 29,7 bilhões solicitados, enquanto no Sul o percentual chegou a 0,8% dos R$ 73,2 bilhões em pedidos de financiamento.
BNDES Tocantins adota regras ambientais mais rígidas
O BNDES destaca que seus critérios de análise ambiental são mais rigorosos do que aqueles exigidos pelo Manual de Crédito Rural do Banco Central.
Pelas normas da instituição, não podem ser contratadas operações destinadas a propriedades onde haja indícios de desmatamento sem documentação comprobatória de regularidade ambiental.
Entre os documentos aceitos estão:
• Autorização para Supressão de Vegetação (ASV)
• Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD) aprovado
• Termo de Ajustamento de Conduta (TAC)
• Outros documentos emitidos pelos órgãos ambientais competentes
Além disso, o banco também veta financiamentos para produtores que possuam embargos ambientais vigentes registrados pelo Ibama, mesmo que o embargo esteja localizado em propriedade diferente daquela apresentada para obtenção do crédito.
Crédito continua disponível para produtores regulares
O BNDES reforça que os produtores rurais que mantêm suas propriedades em conformidade com a legislação ambiental continuam tendo acesso normal às linhas de financiamento.
Os recursos podem ser contratados por meio da rede de mais de 80 instituições financeiras credenciadas pelo banco, que atendem mais de 90% do território nacional.
A política de monitoramento ambiental busca garantir que o crédito rural continue contribuindo para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro sem comprometer a preservação dos recursos naturais e o cumprimento da legislação ambiental.
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