Liderança feminina
A liderança feminina no turismo brasileiro foi tema de debate durante o Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, reunindo especialistas, empresárias e representantes do setor para discutir representatividade, diversidade e empreendedorismo.
A presença das mulheres no turismo brasileiro é expressiva e crescente, mas ainda enfrenta barreiras quando o assunto é ocupação de cargos de liderança e tomada de decisões. Essa realidade foi debatida durante o painel “Ultrapassando Barreiras: Liderança Feminina e Direitos das Mulheres no Turismo”, realizado nesta quarta-feira, 3, dentro da programação do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, em João Pessoa, na Paraíba.
O encontro reuniu lideranças empresariais, representantes de entidades do setor e empreendedoras que compartilharam experiências e defenderam a ampliação da participação feminina em posições estratégicas. O consenso entre as participantes foi claro: o turismo brasileiro já é sustentado por mulheres em diversas áreas, mas ainda precisa avançar para garantir maior representatividade nos espaços de comando.
A discussão ocorre em um momento em que o turismo nacional vive um cenário de crescimento e transformação, impulsionado por novas demandas de mercado, inovação e fortalecimento do empreendedorismo feminino.
Liderança feminina ainda enfrenta desafios
Dados apresentados durante o evento mostram que as mulheres representam 52,5% da força de trabalho formal do turismo brasileiro, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). O percentual está próximo da média mundial do setor, que é de 54%, conforme levantamento do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC).
No empreendedorismo, a participação feminina também é significativa. Pesquisa do Sebrae aponta que 57% dos negócios turísticos brasileiros são liderados por mulheres.
Apesar desses números expressivos, a presença feminina nos cargos de liderança ainda é considerada baixa.
Informações do Ministério do Turismo revelam que apenas 17% das empresas cadastradas no Cadastur informam possuir mulheres em posições de comando.
O cenário evidencia uma contradição: embora as mulheres sejam maioria entre os trabalhadores e empreendedores do setor, ainda ocupam uma parcela reduzida dos espaços de decisão.
Liderança feminina além da representatividade
A presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem (ABAV), Ana Carolina Medeiros, destacou que o avanço feminino precisa ir além da presença simbólica nas organizações.
Segundo ela, é necessário garantir participação efetiva das mulheres nos processos de decisão que definem os rumos do turismo brasileiro.
“Não queremos ocupar uma cadeira apenas para compor uma fotografia. Queremos mulheres em posições de liderança, participando das decisões e ajudando a definir os rumos do setor”, afirmou durante o painel.
A dirigente observou que muitas profissionais altamente qualificadas atuam nos bastidores das organizações, mas ainda encontram dificuldades para alcançar posições de representação institucional e liderança executiva.
Diversidade fortalece negócios
A CEO do Grupo Tauá Hotéis e Resorts, Lizete Ribeiro, ressaltou que a diversidade precisa fazer parte da cultura das empresas e não apenas dos discursos corporativos.
Ela destacou que o compromisso com a inclusão deve estar presente nas decisões estratégicas das organizações.
Atualmente, mais de 50% das posições de liderança do Grupo Tauá são ocupadas por mulheres, enquanto aproximadamente 60% dos colaboradores da empresa são do sexo feminino.
Para Lizete, ambientes diversos geram inovação, ampliam perspectivas e fortalecem os resultados empresariais.
“A diversidade precisa ser vivida todos os dias. Não adianta apenas falar sobre inclusão. As empresas precisam criar oportunidades reais para que as pessoas possam crescer e ocupar espaços de liderança”, afirmou.
Ela também ressaltou o potencial transformador do turismo na vida das pessoas.
“Não há indústria mais poderosa de transformação humana do que o turismo. É um setor que gera oportunidades desde o primeiro emprego até a formação de grandes empreendedores, executivos e líderes”, acrescentou.
Redes femininas impulsionam crescimento
Outro tema abordado foi a importância das redes de apoio e colaboração entre mulheres.
A presidente do Movimento Ela Soma, Marina Rolim Cartaxo, destacou que o fortalecimento das conexões femininas tem papel fundamental para ampliar oportunidades e impulsionar negócios.
Segundo ela, a troca de experiências, o compartilhamento de conhecimento e a circulação de oportunidades contribuem diretamente para o crescimento profissional e empresarial das mulheres.
“O turismo é um setor construído por conexões. Quando mulheres compartilham conhecimento, indicam oportunidades e caminham juntas, elas fortalecem não apenas suas trajetórias individuais, mas todo o ecossistema turístico”, afirmou.
Empreendedorismo transforma territórios
Representando o turismo rural, a empresária Maria Júlia Baracho compartilhou a experiência de utilizar o turismo como ferramenta de desenvolvimento econômico e valorização cultural.
Proprietária do Engenho Triunfo e do Hotel Fazenda Triunfo, ela relatou como o empreendedorismo feminino tem contribuído para transformar a realidade econômica do Brejo paraibano.
Segundo a empresária, o turismo só alcança seu potencial quando gera benefícios para toda a comunidade.
“Ninguém desenvolve um destino sozinho. O turismo só cumpre seu papel quando gera oportunidades para a comunidade, movimenta a economia local e cria condições para que mais pessoas permaneçam e prosperem em seus territórios”, afirmou.
Programação aborda inclusão e segurança
Além do painel sobre liderança feminina, a programação do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo também discutiu temas estratégicos para o setor.
Nesta quarta-feira, os participantes acompanharam o debate “Turismo, Futebol e a Copa do Mundo Feminina Brasil 2027”, que analisou os impactos do mundial para os destinos turísticos brasileiros.
Outro destaque foi o painel “Segurança Turística da Mulher”, dedicado à construção de ambientes mais seguros e acolhedores para viajantes.
A programação será encerrada nesta quinta-feira, 4, com o painel “Diversidade e Inclusão Turística da Mulher”, que abordará temas como afroturismo, turismo indígena e turismo voltado ao público com mais de 60 anos.
Liderança feminina fortalece o turismo brasileiro
As discussões realizadas durante o fórum reforçam uma tendência crescente no setor turístico: a busca por ambientes mais inclusivos, diversos e representativos.
Embora as mulheres já desempenhem papel fundamental na construção do turismo brasileiro, especialistas defendem que a ampliação da presença feminina nos espaços de liderança é essencial para tornar o setor mais inovador, sustentável e conectado às transformações da sociedade.
O fortalecimento da liderança feminina, da diversidade e das redes de apoio aparece, cada vez mais, como um dos caminhos para impulsionar o crescimento do turismo e ampliar as oportunidades para milhares de profissionais e empreendedoras em todo o país.
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