Governo Federal reforça ações diante de possível El Niño 2026
O Governo Federal está intensificando as medidas de monitoramento e prevenção diante da possibilidade de ocorrência de um El Niño 2026 de forte intensidade. A estratégia foi detalhada nesta quinta-feira (11) pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”.
Segundo o ministro, os estudos meteorológicos apontam atualmente cerca de 80% de probabilidade para a formação de um episódio intenso do fenômeno climático ainda este ano. Diante desse cenário, o governo decidiu agir de forma preventiva, mobilizando órgãos federais antes mesmo da confirmação definitiva do evento.
O objetivo é minimizar impactos ambientais, econômicos e sociais que costumam acompanhar períodos de El Niño, especialmente em relação às queimadas, incêndios florestais, secas prolongadas e eventos extremos de chuva.
El Niño 2026 terá monitoramento permanente
Para acompanhar a evolução do fenômeno, foi criada uma sala de situação permanente coordenada pela Casa Civil da Presidência da República.
A estrutura reúne representantes de 13 ministérios e diversos órgãos federais responsáveis pelo monitoramento meteorológico, planejamento de respostas emergenciais e coordenação de ações preventivas.
De acordo com João Paulo Capobianco, a preparação antecipada é essencial diante da elevada probabilidade de ocorrência do fenômeno.
“O que temos hoje é uma indicação de que há aproximadamente 80% de chance de probabilidade de ser um El Niño muito intenso. Então, o que deveríamos fazer? Aguardar 100% de certeza? Claro que não. O Brasil nunca trabalhou assim. E agora estamos muito melhor preparados do que nos anos anteriores”, afirmou.
Além do acompanhamento técnico, a sala de situação atua na organização de recursos extraordinários destinados às Forças Armadas, Polícia Federal, Ibama, ICMBio e demais órgãos envolvidos nas ações de prevenção e resposta.
Mudanças climáticas ampliam impactos do fenômeno
Embora o El Niño seja um fenômeno natural recorrente, especialistas alertam que seus efeitos vêm sendo potencializados pelas mudanças climáticas globais.
Segundo Capobianco, a combinação entre o aquecimento global e os ciclos naturais do clima aumenta significativamente a intensidade dos eventos extremos.
“O El Niño é um fenômeno natural, ele sempre ocorreu. O problema é que agora ele se associa à mudança do clima. Então ele tem potencial de ser mais intenso”, destacou o ministro.
Historicamente, episódios de El Niño provocam alterações importantes nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do Brasil.
Regiões podem enfrentar impactos distintos
Os efeitos do El Niño 2026 podem variar conforme a localização geográfica.
Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a tendência é de redução das chuvas, aumento das temperaturas e prolongamento dos períodos de estiagem. Esse cenário favorece a ocorrência de queimadas e incêndios florestais em biomas como Amazônia, Cerrado e Pantanal.
Já nas regiões Sul e Sudeste, o fenômeno costuma provocar aumento significativo das chuvas, ampliando riscos de enchentes, inundações, alagamentos e deslizamentos de terra.
Diante desse cenário, o governo trabalha simultaneamente em estratégias voltadas para diferentes tipos de riscos climáticos.
Prevenção de incêndios ganha reforço
Uma das maiores preocupações do Governo Federal é a possibilidade de aumento dos incêndios florestais durante o período seco.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o país ampliou significativamente sua capacidade operacional após a aprovação da Lei do Manejo Integrado do Fogo.
A legislação estabelece responsabilidades compartilhadas entre União, estados, municípios e proprietários rurais para prevenção e combate aos incêndios.
“A nova legislação estabelece o princípio da corresponsabilidade, dividindo atribuições claras entre a União, estados, municípios e proprietários rurais”, explicou Capobianco.
Além das mudanças legais, houve reforço estrutural com ampliação do número de aeronaves de combate ao fogo, aquisição de equipamentos especializados e fortalecimento das equipes de monitoramento ambiental.
Segundo o governo, mais de R$ 500 milhões já foram destinados aos corpos de bombeiros dos estados considerados mais vulneráveis aos incêndios florestais.
População é chamada a colaborar
Durante a entrevista, o ministro ressaltou que grande parte dos incêndios registrados no país tem origem em ações humanas.
Queima de lixo, limpeza de terrenos e manejo inadequado de áreas rurais podem provocar incêndios de grandes proporções durante períodos de estiagem severa.
“Mesmo quando o fogo se inicia por um acidente corriqueiro, como a queima de lixo ou a limpeza de um pequeno pasto, a atual situação climática faz com que as chamas saiam de controle facilmente”, alertou.
O ministro fez um apelo para que a população evite qualquer utilização de fogo nos meses mais críticos do ano.
“Nada substitui a ação da sociedade. Faço aqui o apelo: cada cidadão agora se torna corresponsável pelo manejo integrado do fogo. Ou seja, não use fogo a partir de julho agora, porque a situação climática vai tornar isso uma situação muito perigosa”, reforçou.
Fiscalização contra incêndios criminosos
Outra frente importante envolve o combate aos incêndios provocados deliberadamente.
Segundo o ministro, a Polícia Federal vem utilizando novas tecnologias de monitoramento capazes de identificar com maior precisão a origem dos focos de incêndio.
A medida permite ampliar investigações e responsabilizar criminalmente autores de queimadas ilegais.
“Hoje, o Governo do Brasil, por meio da Polícia Federal, estabeleceu um procedimento muito rigoroso de monitoramento e acompanhamento que está permitindo identificar, pela primeira vez, quem causou o início do incêndio”, afirmou Capobianco.
Com ações integradas de monitoramento, prevenção, fiscalização e combate aos incêndios, o Governo Federal busca reduzir os impactos ambientais e sociais associados ao possível El Niño 2026, fortalecendo a capacidade de resposta do país diante de um cenário climático considerado desafiador para os próximos meses.
Mais informações sobre clima, monitoramento ambiental e prevenção de incêndios podem ser consultadas no portal oficial do
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
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