Abdominoplastia vai além da estética e pode corrigir alterações funcionais do abdômen
Abdominoplastia moderna vai além da retirada de pele e pode corrigir alterações musculares, melhorar o contorno corporal e proporcionar mais conforto e qualidade de vida aos pacientes.
Quando o assunto é abdominoplastia, muitas pessoas ainda associam o procedimento apenas à retirada do excesso de pele da região abdominal. No entanto, a cirurgia evoluiu significativamente nos últimos anos e passou a ser considerada uma importante ferramenta para reconstrução do contorno corporal e correção de alterações funcionais que afetam o abdômen.
A procura pela cirurgia tem aumentado especialmente entre mulheres após a gestação, pacientes que passaram por grandes perdas de peso e pessoas que convivem com flacidez abdominal que não responde aos exercícios físicos ou aos cuidados convencionais.
Segundo a cirurgiã plástica Dra. Flávia Bonato, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a avaliação realizada atualmente vai muito além da aparência da pele.
“Muitas pacientes chegam ao consultório acreditando que o problema está apenas no excesso de pele. Na realidade, frequentemente encontramos uma combinação de fatores, como afastamento da musculatura abdominal, flacidez dos tecidos profundos, alterações da cintura e gordura localizada. O tratamento precisa considerar todas essas estruturas para alcançar um resultado equilibrado”, explica.
Abdominoplastia pode corrigir a diástase abdominal
Uma das condições mais comuns observadas após a gravidez ou grandes oscilações de peso é a diástase abdominal, caracterizada pelo afastamento dos músculos retos do abdômen.
Esse problema pode fazer com que a barriga permaneça projetada mesmo em pessoas magras e fisicamente ativas. Durante a cirurgia, o cirurgião pode realizar a chamada plicatura muscular, técnica utilizada para reposicionar os músculos e restaurar a firmeza da parede abdominal.
Além do benefício estético, muitos pacientes relatam melhora da postura, maior estabilidade do tronco e sensação de fortalecimento da região abdominal após o procedimento.
Cirurgia não substitui emagrecimento
Apesar de ser frequentemente associada à perda de peso, a abdominoplastia não é indicada para emagrecer. Especialistas reforçam que o procedimento deve ser realizado por pessoas que já atingiram ou estão próximas do peso ideal.
O objetivo principal da cirurgia é remover excesso de pele, corrigir flacidez e melhorar alterações estruturais que dificilmente desaparecem apenas com alimentação saudável e atividade física.
Nos últimos anos, a procura pelo procedimento cresceu entre pacientes que passaram por processos significativos de emagrecimento, inclusive após cirurgia bariátrica, e desejam corrigir os excessos de pele resultantes dessa transformação corporal.
Lipoaspiração complementa os resultados
Outro aspecto importante da abdominoplastia moderna é a associação frequente com a lipoaspiração. Embora a cirurgia retire parte da gordura junto com a pele excedente, a lipoaspiração permite um refinamento mais preciso do contorno corporal.
A combinação das técnicas possibilita remodelar regiões como cintura, flancos e dorso, proporcionando um resultado mais harmônico e natural.
Segundo especialistas, a cirurgia plástica atual analisa o corpo de forma global, observando proporções, volumes e curvas naturais para alcançar um resultado equilibrado.
“Hoje pensamos o corpo de forma tridimensional. Não basta apenas retirar pele. É preciso avaliar proporções, volumes e contornos para alcançar resultados naturais”, destaca Dra. Flávia Bonato.
Reconstrução do umbigo exige planejamento
Entre os detalhes técnicos que mais surpreendem os pacientes está o trabalho realizado na região do umbigo. Nas abdominoplastias convencionais, a pele abdominal é reposicionada após a retirada do excesso, tornando necessária a reconstrução da abertura umbilical.
Atualmente, existem técnicas específicas voltadas para criar um umbigo discreto, proporcional e com aparência natural, fator considerado essencial para a qualidade do resultado final.
“O umbigo é um dos elementos que mais chamam atenção no resultado final. Atualmente existem técnicas voltadas para criar um aspecto discreto, proporcional e natural”, explica a especialista.
Nem todos os pacientes precisam da cirurgia completa
Embora a versão tradicional seja a mais conhecida, existem diferentes modalidades de abdominoplastia. Em alguns casos, quando a flacidez está concentrada abaixo do umbigo, a miniabdominoplastia pode ser suficiente para proporcionar excelentes resultados.
A escolha depende de fatores como qualidade da pele, presença de diástase, quantidade de flacidez e características individuais de cada paciente.
“Nem sempre a maior cirurgia é a melhor cirurgia. O sucesso do tratamento depende da indicação correta para cada caso”, afirma a médica.
Recuperação depende de preparo adequado
Os avanços tecnológicos aumentaram a segurança e a previsibilidade dos resultados, mas os cuidados pré e pós-operatórios continuam fundamentais para uma boa recuperação.
Especialistas avaliam fatores como estado nutricional, hábitos de vida, estabilidade do peso e histórico clínico antes de indicar a cirurgia.
A ingestão adequada de proteínas, por exemplo, desempenha papel importante na cicatrização e recuperação dos tecidos. Em pacientes que passaram por emagrecimento expressivo, o acompanhamento nutricional pode ser recomendado para otimizar os resultados.
Para Dra. Flávia Bonato, a cirurgia representa apenas uma etapa de um processo mais amplo de cuidado com a saúde e com o corpo.
“A cirurgia é apenas uma parte do tratamento. Uma boa recuperação depende também de um organismo preparado para cicatrizar. Em muitos casos, orientamos ajustes nutricionais e acompanhamento especializado para otimizar os resultados”, explica.
A especialista reforça que a cirurgia plástica contemporânea busca preservar a naturalidade e restaurar estruturas modificadas pelo tempo, pelas gestações ou pelo emagrecimento.
“A cirurgia plástica moderna busca naturalidade e proporcionalidade. O objetivo não é transformar completamente o corpo, mas devolver conforto, equilíbrio e harmonia ao paciente”, conclui.

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