Cartão de crédito e pequenos negócios

Cartão de crédito e pequenos negócios

Cartão de crédito segue como um dos serviços financeiros mais usados pelos pequenos negócios

O uso do cartão de crédito cresce entre microempreendedores e pequenos negócios, mas pode comprometer o caixa quando substitui o crédito planejado.

O cartão de crédito permanece como um dos serviços financeiros mais utilizados pelos pequenos negócios brasileiros, ficando atrás apenas dos boletos bancários. A informação faz parte da pesquisa Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), que ouviu mais de 6,2 mil empreendedores de diferentes setores em todo o país. Embora seja uma ferramenta prática para o dia a dia, o cartão pode se tornar um risco para a saúde financeira do empreendimento quando utilizado sem planejamento.

Atualmente, os juros do rotativo estão acima de 450% ao ano, o que transforma o cartão de crédito em uma das linhas de crédito mais caras do mercado. Mesmo assim, ele segue como a segunda forma de pagamento mais popular, empatado com 43% de uso entre os empreendedores, atrás apenas dos boletos, que cresceram de 27% para 46% entre 2022 e 2025. Já o empréstimo bancário e o financiamento de bens e equipamentos também apresentaram leve aumento no mesmo período.

Por que o cartão de crédito preocupa os especialistas

Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, o grande desafio está no uso inadequado do instrumento. Segundo ele, muitos microempreendedores utilizam o cartão como alternativa para suprir a falta de capital de giro, o que gera um ciclo de endividamento. “Quando o empreendedor recorre ao cartão de crédito para cobrir necessidades imediatas, ele acaba comprometendo o orçamento futuro. As parcelas consomem o fluxo de caixa do mês seguinte e criam um efeito dominó difícil de reverter”, explica.

A combinação entre juros altos, custos acumulados e falta de controle pode transformar o cartão em um verdadeiro vilão financeiro. Por outro lado, quando usado com critério, ele pode ajudar na organização de compras, centralização de pagamentos e até oferecer prazos adicionais para o empreendedor planejar o caixa.

Alternativas ao uso excessivo do cartão de crédito

Para reduzir a dependência do cartão de crédito, o Sebrae vem fortalecendo o acesso ao crédito assistido por meio do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), que integra o Programa Acredita do governo federal. Em 2025, o Fampe já viabilizou R$ 1,6 bilhão em financiamentos – um crescimento de 32% em relação ao ano anterior. O grande diferencial é que o Sebrae atua como avalista, permitindo que empreendedores antes sem acesso ao sistema financeiro consigam crédito com juros menores e condições mais adequadas.

Além disso, o Acredita Microcrédito abre portas para operações fora do sistema bancário tradicional, por meio de bancos comunitários, moedas sociais e programas municipais e estaduais. A expectativa é chegar a R$ 250 milhões de crédito nessas modalidades. Há ainda o Acredita Delas, que em apenas um mês já distribuiu R$ 55 milhões em crédito voltado a negócios liderados por mulheres.

Como usar o cartão de crédito com responsabilidade

De acordo com o Sebrae, o uso consciente do cartão de crédito deve seguir alguns princípios básicos. O crédito precisa preservar o caixa, ter juros menores, prazos adequados e parcelas que caibam no orçamento. Também é fundamental evitar atrasos para não entrar no rotativo. Quando utilizado de forma planejada, o crédito se torna um instrumento de crescimento, permitindo comprar insumos, investir em estoque, modernizar o negócio ou enfrentar períodos de queda no faturamento.

Para auxiliar os empreendedores, o Sebrae disponibiliza orientações, simuladores de crédito e acompanhamento técnico. O objetivo é garantir que o crédito seja um recurso estratégico, e não uma solução emergencial que comprometa a continuidade do negócio. Assim, o empreendedor consegue previsibilidade, menor risco de endividamento e melhores condições para o crescimento sustentável.

O Programa Acredita segue como uma importante política pública de fortalecimento dos pequenos negócios, oferecendo condições justas, orientação e suporte para que o uso do crédito seja mais eficiente e saudável. Em um cenário de juros altos e forte dependência do cartão de crédito, caminhos alternativos como esse se tornam essenciais para a longevidade empresarial.

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