Coco Livre: Vocifer homenageia quebradeiras de coco babaçu em releitura de Genésio Tocantins
Nova versão de “Coco Livre S/A” une Heavy Metal e cultura popular para valorizar as quebradeiras de coco babaçu e a identidade cultural do Norte do Brasil.
A banda tocantinense Vocifer acaba de lançar uma releitura de “Coco Livre S/A”, composição de Genésio Tocantins que há décadas integra o imaginário cultural do estado. Conhecida por misturar Heavy Metal com elementos da cultura amazônica e das tradições populares do Norte do Brasil, a banda apresenta uma nova leitura da obra, transformando a canção em uma poderosa homenagem às quebradeiras de coco babaçu e aos saberes tradicionais que atravessam gerações.
A música chega ao público em um momento simbólico para as comunidades extrativistas. Recentemente, o ofício das quebradeiras de coco babaçu dos estados do Tocantins, Maranhão, Pará e Piauí foi reconhecido oficialmente como manifestação da cultura nacional por meio da Lei nº 15.431. O reconhecimento representa um marco para milhares de mulheres que mantêm viva uma atividade fundamental para a economia popular, a preservação ambiental e a identidade cultural de diversas comunidades brasileiras.
Heavy Metal encontra a tradição popular
Na versão da Vocifer, a essência da composição original é preservada, mas ganha novos contornos sonoros. A força do Heavy Metal se encontra com a cadência do coco, criando uma fusão que reforça a mensagem de resistência presente na obra de Genésio Tocantins.
A letra retrata o cotidiano das quebradeiras de coco babaçu e destaca a relação histórica dessas mulheres com os babaçuais. Mais do que uma fonte de renda, o coco babaçu representa um patrimônio cultural, social e ambiental que sustenta famílias, fortalece a organização comunitária e preserva conhecimentos transmitidos de geração em geração.
Ao transportar essa narrativa para o universo da música pesada, a Vocifer reafirma uma característica que acompanha sua trajetória desde a fundação da banda: utilizar o Metal como ferramenta para contar histórias do Norte do Brasil e ampliar a visibilidade de temas frequentemente ausentes do cenário musical nacional.
O lançamento também reforça o diálogo entre diferentes manifestações culturais. Enquanto o coco representa uma expressão tradicional profundamente ligada à oralidade popular, o Heavy Metal surge como veículo contemporâneo para levar essas narrativas a novos públicos, dentro e fora do país.
A faixa já está disponível nas principais plataformas digitais e amplia o repertório de produções da banda voltadas à valorização da cultura amazônica e tocantinense.
Reconhecimento nacional e internacional
Além do lançamento do novo single, a Vocifer vive outro momento importante em sua trajetória. A banda estampa a capa da 47ª edição do Mariutti Team Zine, publicação especializada na cena brasileira de música pesada.
Na entrevista intitulada “O Heavy Metal que Ecoa na Amazônia”, os músicos falam sobre a missão de representar a região Norte dentro do cenário nacional e internacional, levando ao público histórias inspiradas no folclore, nas lendas e nas manifestações culturais da Amazônia.
Fundada em 2016, a Vocifer consolidou uma identidade própria ao unir elementos do Heavy Metal tradicional e do Power Metal a temas ligados à cultura regional. O trabalho chamou atenção de fãs e críticos por explorar personagens, narrativas e símbolos pouco abordados dentro do gênero.
Essa proposta ganhou projeção com os álbuns “Boiuna” e “Jurupary”. Este último foi inspirado na lendária figura amazônica documentada pelo explorador italiano Ermanno Stradelli e contou com participações de nomes importantes da música brasileira, como Luis Mariutti, Thiago Bianchi, Daísa Munhoz, Fábio Laguna e Daniel Mazza, além dos Tambores do Tocantins.
O reconhecimento conquistado pela banda resultou em um contrato com a gravadora grega Alone Records, responsável pela distribuição mundial do álbum “Jurupary” em formatos físicos e digitais.
Cultura, memória e resistência
Atualmente, a Vocifer é formada por João Noleto (vocais), Lucas Lago (baixo), Pedro Scheid e Gustavo Oliveira (guitarras) e Rich Rodrigues (bateria).
Ao revisitar “Coco Livre S/A”, a Vocifer não apenas presta homenagem a uma das composições mais emblemáticas da música tocantinense, mas também contribui para manter viva a história das quebradeiras de coco babaçu, mulheres que seguem desempenhando papel fundamental na preservação dos babaçuais e na construção da identidade cultural do Norte do Brasil.
Mais do que uma releitura musical, o lançamento se transforma em um encontro entre tradição e contemporaneidade, mostrando que a cultura popular pode encontrar novas formas de expressão sem perder suas raízes.
A nova versão de “Coco Livre S/A” reforça o compromisso da banda em fazer do Heavy Metal um espaço de valorização da memória, da cultura regional e das vozes que ajudam a contar a história da Amazônia e do Tocantins.
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