Defensorias do Araguaia levam atendimento jurídico e cidadania à Aldeia Santa Isabel do Morro
O projeto Defensorias do Araguaia iniciou a edição 2026 levando atendimento jurídico gratuito e diversos serviços de cidadania à Aldeia Santa Isabel do Morro, na Ilha do Bananal. A ação beneficia comunidades indígenas que enfrentam dificuldades para acessar serviços públicos devido ao isolamento geográfico.
A cerca de 800 quilômetros de Palmas, a Aldeia Santa Isabel do Morro, no município de Lagoa da Confusão, recebeu nesta quarta-feira (1º) a primeira etapa da edição 2026 do Defensorias do Araguaia. A iniciativa reuniu equipes das Defensorias Públicas do Tocantins, Goiás e Mato Grosso, além de instituições parceiras, para oferecer atendimento jurídico integral e diversos serviços diretamente às comunidades indígenas.
Voltado principalmente ao povo Karajá, o Defensorias do Araguaia busca aproximar os povos originários de direitos e serviços públicos que, muitas vezes, permanecem distantes devido às dificuldades de deslocamento. Cerca de mil indígenas vivem na Aldeia Santa Isabel do Morro, além dos moradores de aldeias vizinhas atendidos durante a ação.
Idealizado pelo Núcleo Especializado de Questões Étnicas e Combate ao Racismo (Nucora), da Defensoria Pública do Tocantins, o projeto leva cidadania diretamente ao território indígena, reduzindo barreiras geográficas e fortalecendo o acesso à Justiça na região do Alto Araguaia.
Defensorias do Araguaia levam cidadania às aldeias
Para muitas famílias da Ilha do Bananal, viajar até Palmas ou outras cidades significa enfrentar longas distâncias e altos custos para resolver questões simples. Com o Defensorias do Araguaia, diversos serviços passaram a ser realizados dentro da própria comunidade.
Foi o caso de Kussina Iara Karajá, moradora da Aldeia Watau, que conseguiu regularizar sua união estável após oito anos. Ela destacou a importância da presença das instituições na região.
“Estou muito emocionada. Uma oportunidade como essa é uma grande conquista para quem mora na Ilha do Bananal e tem dificuldade para chegar aos órgãos públicos. Sem esse atendimento, muitas pessoas acabam deixando de exercer seus direitos”, afirmou.
O cacique Juanahu Iny Karajá também ressaltou a importância da iniciativa para a comunidade e afirmou que a presença das equipes representa um apoio essencial para solucionar demandas que normalmente exigiriam deslocamentos para outros municípios.
Projeto aproxima a Justiça dos povos indígenas
Coordenadora do Nucora e idealizadora do Defensorias do Araguaia, a defensora pública Letícia Amorim afirmou que levar os serviços diretamente às aldeias representa uma forma efetiva de garantir cidadania e respeitar as características culturais dos povos indígenas.
“Levamos os serviços até o território porque muitas comunidades não conseguem acessar nem os atendimentos mais básicos. Estar aqui é oferecer cidadania respeitando a cultura e as necessidades de cada povo”, destacou.
Além do atendimento jurídico, o Defensorias do Araguaia reúne diferentes órgãos públicos para facilitar o acesso à documentação, benefícios sociais, orientação jurídica e outros serviços essenciais às comunidades indígenas.
Parceria amplia os serviços oferecidos
A mobilização contou com a participação de instituições como a Defensoria Pública da União, INSS, Receita Federal, Funai, Advocacia-Geral da União e órgãos dos governos do Tocantins e de Mato Grosso. A atuação integrada amplia o alcance dos atendimentos e evita que moradores precisem percorrer centenas de quilômetros para resolver questões administrativas e jurídicas.
Representantes das Defensorias Públicas de Goiás e Mato Grosso destacaram que a atuação conjunta fortalece a promoção da justiça social e permite atender melhor as necessidades específicas das comunidades indígenas da região do Araguaia.
Atendimentos continuam nos próximos dias
Os atendimentos previstos para esta quarta-feira foram encerrados antes do horário programado em respeito ao luto da comunidade após o falecimento de um morador da Aldeia Santa Isabel do Morro. A Defensoria Pública do Tocantins divulgou uma Nota de Pesar e prestou solidariedade aos familiares.
A programação do Defensorias do Araguaia terá continuidade na sexta-feira, 3 de julho, na Aldeia Itxalá, em Mato Grosso, e será concluída no dia 6 de julho, na Aldeia Carretão, em Goiás. A expectativa é ampliar o acesso à Justiça e aos serviços públicos para outras comunidades indígenas da região.
Defensorias do Araguaia fortalecem o acesso à Justiça
Consolidado como uma das principais ações itinerantes voltadas aos povos indígenas do Centro-Oeste, o Defensorias do Araguaia aproxima o Estado das comunidades mais isoladas, garantindo atendimento jurídico gratuito e acesso a serviços essenciais sem que os moradores precisem deixar seus territórios. A iniciativa reforça o compromisso das Defensorias Públicas com a promoção da cidadania, da inclusão social e da efetivação dos direitos dos povos originários.
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