Dia de Iemanjá é celebrado no Tocantins com cultura, fé e resistência
O Dia de Iemanjá Tocantins ganha destaque em 2026 com celebrações culturais, religiosas e ações de enfrentamento à intolerância.
O Dia de Iemanjá, celebrado em 2 de fevereiro, tem se consolidado no Tocantins como uma importante manifestação cultural, religiosa e simbólica das comunidades de matriz africana. A data reafirma a valorização da cultura afro-brasileira, fortalece o direito à liberdade religiosa e amplia o combate à intolerância religiosa no estado — um debate que ganha cada vez mais espaço no cenário público.
Embora o culto a Iemanjá seja ancestral, sua institucionalização ocorreu gradualmente ao longo do século XX, acompanhando movimentos sociais que reivindicavam respeito e reconhecimento das tradições africanas no Brasil. No Tocantins, o marco se fortalece a partir de 2026, quando a celebração passa a integrar oficialmente o Calendário Cultural do Estado, após análise técnica da Secretaria da Cultura.
Celebrar Iemanjá é celebrar identidade, fé e resistência
Para a sacerdotisa Mãe Cleusa de Oyá, dirigente da Tenda de Umbanda Cabocla Yara e Caboclo Boiadeiro, em Santa Rosa do Tocantins, o reconhecimento oficial da data representa um avanço histórico. Ela afirma que a festa traduz fé, orgulho e resistência dos povos de terreiro. “Durante muitos anos enfrentamos preconceito e intolerância. Hoje, celebrar Iemanjá oficialmente é ver nossa história reconhecida. É fortalecer nossa cultura, nossa fé e a dignidade do nosso povo”, destaca.
Com 19 anos de religião, sendo 12 como sacerdotisa, Mãe Cleusa observa maior abertura social, diálogo e respeito entre instituições e comunidades tradicionais. Para ela, os terreiros cumprem papel essencial além do ritualístico: funcionam como espaços de acolhimento, cuidado, formação cultural e preservação de saberes ancestrais.
Dia de Iemanjá e a identidade tocantinense
Segundo o presidente do Conselho de Políticas Culturais do Tocantins, Elpídio de Paula Neto, a força simbólica da celebração dialoga profundamente com a identidade do estado. “Mesmo sem mar, o Tocantins é um território marcado pelas águas, pelos rios, pelas histórias que nos ligam à natureza. Iemanjá está presente no imaginário coletivo de forma afetiva e cultural”, explica.
Elpídio ressalta que as celebrações públicas fortalecem o reconhecimento das religiões de matriz africana e promovem unidade, visibilidade e respeito. Para ele, a presença de rituais, apresentações culturais e atividades formativas nos espaços públicos reforça o compromisso com a diversidade religiosa.
Projeto Águas de Iemanjá mobiliza o estado
Entre janeiro e fevereiro, o Tocantins realiza o projeto Águas de Iemanjá, como parte do Primeiro Festival Cultural e de Geração de Renda ligado ao Terceiro Presente de Iemanjá. A programação inclui oficinas formativas, rodas de diálogo inter-religioso, ações de economia criativa e uma grande celebração pública no Rio Tocantins, em Palmas.
Para o coordenador do projeto e dirigente do Ilê Odé Oyá, Babalorixá William Vieira de Oliveira, a iniciativa ultrapassa o caráter religioso. “É um gesto coletivo de resistência e afirmação cultural. Celebrar Iemanjá é lutar pelo direito à fé, à memória e à dignidade dos povos de terreiro”, afirma.
Programação: diálogos, formação e celebração
A programação iniciou em 21 de janeiro, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Em 21 de fevereiro, o Terreiro Ilê Odé Oyá recebe oficinas de ritmos, danças, cantigas, gastronomia afro-brasileira e confecção de roupas tradicionais, fortalecendo a transmissão de saberes ancestrais.
No dia 22 de fevereiro, ocorre a Roda de Conversa com sacerdotes e sacerdotisas de diversos estados, ampliando a troca de experiências e fortalecendo a rede de terreiros. A culminância será em 28 de fevereiro, com alvorada, procissão, celebração cultural e entrega dos presentes de Iemanjá nas águas do Rio Tocantins.
Calendário Cultural: marco de reconhecimento institucional
A inclusão da Festa de Iemanjá no Calendário Cultural do Tocantins reforça o compromisso estatal com a diversidade religiosa, os direitos humanos e a preservação da cultura afro-brasileira. O reconhecimento garante continuidade, visibilidade e apoio institucional às celebrações.


