Nova regra do Imposto de Renda amplia isenção para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil
Reforma do Imposto de Renda entra em vigor nesta quinta e amplia a isenção para quem ganha até R$ 5 mil, beneficiando cerca de 15 milhões de brasileiros.
Sancionada em novembro de 2025, a reforma do Imposto de Renda passa a valer nesta quinta-feira, 1º de janeiro, trazendo mudanças estruturais na tributação de trabalhadores, investidores e contribuintes de alta renda. A nova tabela eleva para R$ 5 mil mensais a faixa de isenção, retirando cerca de 15 milhões de brasileiros da cobrança do IR na fonte. Trata-se da maior atualização da tabela desde 2015, corrigindo uma defasagem histórica que pressionava a classe média.
Antes da mudança, apenas quem ganhava até R$ 3.036 era isento. Agora, com a ampliação, a medida representa uma renúncia fiscal estimada em R$ 25,4 bilhões, segundo o governo.
Isenção total para quem ganha até R$ 5 mil
Com a nova regra, trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil passam a ficar totalmente isentos do IR. O impacto é imediato: já no salário de janeiro, pago no final do mês ou no início de fevereiro, não haverá retenção do imposto.
Segundo estimativas oficiais, contribuintes nessa faixa podem economizar até R$ 4 mil por ano, considerando o 13º salário.
Desconto gradual para salários até R$ 7.350
A reforma cria uma faixa intermediária para evitar o chamado “degrau tributário”, situação em que pequenos aumentos salariais produzem aumento desproporcional no imposto devido. Agora, rendas entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 terão desconto parcial no IR, com redução progressiva conforme a renda aumenta.
Exemplos práticos mostram o efeito da mudança:
- R$ 5.500/mês: redução de até 75% no imposto mensal;
- R$ 6.500/mês: economia aproximada de R$ 1.470 por ano;
- R$ 7.000/mês: economia em torno de R$ 600 por ano.
Mudanças sentidas já em janeiro
O efeito será percebido imediatamente na folha de pagamento. Trabalhadores enquadrados na nova isenção ou no desconto parcial já deixarão de ter o imposto retido integralmente.
No entanto, mesmo os isentos continuarão obrigados a declarar o imposto em 2026, pois a declaração se refere ao ano-base 2025, período anterior às novas regras.
Imposto mínimo para renda acima de R$ 50 mil mensais
Para compensar a renúncia fiscal, o governo instituiu o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), aplicável a contribuintes com renda anual acima de R$ 600 mil (R$ 50 mil/mês). A alíquota pode chegar a até 10% para quem ultrapassa R$ 1,2 milhão ao ano.
O cálculo considera salários, dividendos e rendimentos financeiros tributáveis, mas exclui investimentos incentivados, heranças, doações e indenizações.
Tributação de dividendos acima de R$ 50 mil por mês
Outra mudança relevante é a tributação de dividendos. Será aplicada alíquota de 10% na fonte para valores superiores a R$ 50 mil por mês pagos por uma única empresa. Pequenos e médios investidores não serão impactados.
O que esperar na declaração de 2027
As novas regras valerão plenamente apenas na declaração de 2027, referente ao ano-base 2026. Até lá, os contribuintes devem observar obrigações do modelo anterior, especialmente no IR referente a 2025.
Resumo: o que muda a partir de hoje
- Isenção total até R$ 5 mil por mês;
- Desconto gradual até R$ 7.350;
- Imposto mínimo de até 10% para renda anual acima de R$ 600 mil;
- Tributação de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil/mês;
- Efeitos completos na declaração de 2027.
Além das mudanças estruturais previstas na reforma, especialistas em direito tributário destacam que 2026 será um ano de adaptação tanto para empresas quanto para trabalhadores. Contadores e departamentos financeiros terão de ajustar sistemas internos, simulações de folha e projeções de recolhimento para evitar inconsistências na retenção mensal. A Receita Federal também deverá lançar novos manuais e orientações para esclarecer dúvidas recorrentes sobre o imposto mínimo e sobre a forma de comprovação dos dividendos recebidos acima do limite estabelecido.
Para o governo, a expectativa é que a nova política tributária reduza distorções, aproxime o país de modelos internacionais e promova maior justiça fiscal, ao aliviar a carga sobre quem ganha menos e aumentar a contribuição proporcional de quem possui renda mais alta. Os próximos meses serão decisivos para medir os efeitos reais da reforma e sua aceitação pelos contribuintes.


