Janja e o “Tatreez” na ONU: quando moda é declaração

janja

Na abertura da Assembleia Geral da ONU, a primeira-dama Janja da Silva vestiu um blazer de cor vermelha bordado com o Tatreez, técnica artesanal tradicional palestina. Ela própria comentou nas redes sociais:

“Por mais um ano, trago as mulheres palestinas junto a mim na Abertura da Assembleia Geral da ONU. Me visto com o tradicional bordado Tatreez, feito por mãos majoritariamente femininas, ao longo dos séculos.

Esse gesto se inscreve numa tendência contemporânea da moda em que as roupas não são apenas objetos estéticos, mas veículos simbólicos de engajamento político, cultural e de identidade.

O que é o Tatreez e por que carrega simbologia

  • O Tatreez é um bordado tradicional palestino, especialmente praticado por mulheres, transmitido de geração em geração.

  • Ele costuma incorporar padrões geométricos, cores fortes e simbologia local — cada motivo pode remeter a plantas, caminhos, raízes, memórias territoriais etc.

  • O bordado foi reconhecido pela UNESCO como patrimônio cultural imaterial, o que reforça sua importância simbólica.

  • Ao escolher essa peça, Janja não fez apenas uma manifestação estética, mas um posicionamento: trazer visibilidade à cultura palestina e às suas mulheres bordadeiras.

A leitura estética do look

  • A cor vermelha do blazer é por si só forte: remete à paixão, à coragem, à potência — e, em contextos diplomáticos, não passa despercebida. Consultores de moda já destacaram que a peça transmite um “recado” sem que a pessoa precise falar.

  • O contraste da riqueza do bordado com um corte de blazer clássico evidencia o híbrido entre o formal e o artesanal: é uma peça diplomática, mas que traz o labor manual e simbólico da arte palestina embutido.

  • Ao repetir ou trazer esse tipo de peça em eventos internacionais, Janja reforça a narrativa visual de que seu estilo dialoga com causas além do Brasil, incorporando simbologias globais.

Moda com propósito: riscos e ganhos

Ganhos:

  • Representatividade cultural: visibiliza uma cultura muitas vezes marginalizada no mainstream da moda global.

  • Ativismo simbólico: transmite posicionamentos sem discursos diretos, agregando carga semiótica ao visual.

  • Engajamento discursivo: abre espaço para debates sobre moda, artesanato, justiça simbólica e feminismo cultural.

Possíveis riscos ou críticas:

  • Interpretação diplomática: em fóruns internacionais, certas escolhas simbólicas podem ser lidas como gestos políticos — e nem sempre serão bem recebidas em todos os contextos.

  • Apropriação simbólica: é preciso cuidado para que o uso não pareça um “uso de causa alheia” sem vínculo ou respeito profundo — o discurso e o reconhecimento das origens enriquecem.

  • Repercussão midiática: em um mundo hiper conectado, cada peça usada por uma figura pública será decodificada e comentada (positivo ou negativo).

Quando Janja usou o blazer bordado com Tatreez na ONU, fez muito mais do que vestir uma peça bonita: construiu uma imagem política, simbólica, estética e cultural. O look se tornou um statement visual — de solidariedade, de voz e presença — e reforça uma ideia cada vez mais forte no mundo da moda: o vestuário também fala.

Publicidade

Portal Jaciara Barros - Anuncie Aqui