moda UFT
Moda UFT reuniu estudantes, especialistas e profissionais para discutir sustentabilidade, identidade cultural e o fortalecimento da cadeia têxtil tocantinense.
A moda UFT foi tema de uma aula aberta que transformou o rooftop da Universidade Federal do Tocantins em um espaço de reflexão sobre criatividade, arquitetura, identidade cultural e desenvolvimento econômico. A atividade “Caminhos da Moda” reuniu estudantes, professores, artistas, empreendedores e especialistas para discutir os desafios e as oportunidades da cadeia têxtil no Tocantins.
Com ambientação inspirada no estilo boho chic, apresentações artísticas e rodas de conversa, o evento promoveu um debate interdisciplinar sobre o papel da moda como fenômeno cultural, social, econômico e ambiental.
Moda UFT aproxima arquitetura e identidade
A iniciativa integrou as atividades acadêmicas do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFT e nasceu do interesse dos próprios estudantes em compreender a arquitetura para além das construções físicas.
Segundo o professor Tom Reis, idealizador e organizador da atividade, arquitetura e moda compartilham princípios fundamentais relacionados à forma como as pessoas ocupam espaços, constroem identidades e se expressam socialmente.
Para ele, discutir moda dentro da universidade é também discutir cultura, memória, território e futuro, ampliando a compreensão sobre os diferentes elementos que influenciam a vida em sociedade.
Ao longo do encontro, especialistas abordaram temas ligados à produção têxtil, sustentabilidade, consumo consciente, identidade regional e economia criativa.
Moda movimenta uma das maiores economias do mundo
Um dos pontos debatidos durante o evento foi a dimensão econômica da indústria da moda. Muitas vezes associada apenas ao consumo e à estética, a atividade movimenta uma das maiores cadeias produtivas globais.
Dados apresentados durante a programação indicam que a indústria mundial da moda possui valor estimado em cerca de 1,84 trilhão de dólares, representando aproximadamente 1,6% do Produto Interno Bruto mundial.
Além disso, o setor gera milhões de empregos em diversas etapas da cadeia produtiva, desde a produção de matérias-primas até a comercialização dos produtos finais.
Para os participantes, compreender essa dimensão econômica contribui para combater preconceitos e valorizar a moda como instrumento de desenvolvimento social e econômico.
Cadeia têxtil regional ganha destaque
Outro tema amplamente discutido foi o fortalecimento da cadeia têxtil tocantinense. Especialistas apontaram que o estado possui potencial para desenvolver uma identidade própria dentro do mercado da moda.
A valorização de matérias-primas regionais, referências culturais locais, artesanato e elementos da biodiversidade do Cerrado aparece como caminho para consolidar uma produção com características genuinamente tocantinenses.
A estudante Sofia Schneider destacou que a atividade proporcionou uma reflexão importante sobre os impactos das escolhas de consumo e sobre os processos que existem por trás da produção de cada peça de roupa.
Segundo ela, muitas vezes as pessoas observam apenas tendências e estilos sem compreender toda a cadeia produtiva envolvida na indústria da moda.
Sustentabilidade e transparência entram em pauta
A programação também integrou ações do movimento internacional Fashion Revolution, presente em mais de 100 países e voltado à defesa de maior transparência, ética e sustentabilidade na indústria da moda.
O movimento surgiu após a tragédia do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, episódio que chamou atenção mundial para as condições de trabalho existentes em parte da cadeia produtiva global.
Representando o Fashion Revolution no Tocantins, Gab Agostini destacou que uma das missões da iniciativa é aproximar a moda da população e mostrar que ela está presente no cotidiano, na cultura e nas formas de expressão das pessoas.
A artista visual Lara Faez reforçou que a democratização do conhecimento é fundamental para ampliar a compreensão sobre a importância da moda enquanto fenômeno cultural, econômico e social.
Evento reúne diferentes perspectivas
Outro destaque da programação foi a participação do arquiteto, influenciador e empreendedor Fábio Marx, conhecido nacionalmente pela personagem Sheyla Cristina.
Durante sua apresentação, ele abordou a relação entre arquitetura, comportamento e moda, defendendo que ambas as áreas precisam compreender profundamente a sociedade para criar soluções alinhadas às necessidades das pessoas.
Ao reunir profissionais de diferentes áreas, a aula aberta demonstrou que a moda vai muito além das passarelas e tendências. Ela aparece como ferramenta de expressão, geração de renda, valorização cultural e desenvolvimento regional.
Em um estado jovem como o Tocantins, iniciativas que aproximam universidade, mercado e sociedade ajudam a fortalecer talentos locais, estimular a inovação e construir uma identidade regional cada vez mais forte dentro da economia criativa brasileira.
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