Polícia Federal investiga fraudes em financiamentos rurais e bloqueia bens de R$ 141 milhões no Tocantins
A Polícia Federal deflagrou a Operação Terra Falsa para investigar fraudes em financiamentos rurais no Tocantins. A Justiça determinou o bloqueio de bens que ultrapassam R$ 141 milhões e US$ 400 mil de oito investigados.
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, 9 de junho, a Operação Terra Falsa, com o objetivo de investigar um suposto esquema de fraudes na obtenção de financiamentos rurais junto a uma instituição financeira privada no Tocantins.
Durante a ação, policiais federais cumpriram três mandados de busca e apreensão em Palmas, expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Tocantins. A operação faz parte de uma investigação que apura a concessão irregular de créditos milionários destinados ao setor agropecuário.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações indicam que um ex-funcionário da instituição financeira teria inserido informações falsas nos sistemas internos do banco, possibilitando a aprovação de financiamentos para pessoas que não atendiam aos requisitos exigidos para acesso às linhas de crédito rural.
Justiça bloqueia bens de oito investigados
Além do cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a Justiça Federal determinou o bloqueio e o sequestro de bens de oito investigados.
Entre os patrimônios atingidos pela decisão judicial estão imóveis urbanos, fazendas, veículos, ativos financeiros, aplicações bancárias e outros bens sujeitos a registro.
O valor total do bloqueio judicial chega a aproximadamente R$ 141,7 milhões, além de US$ 400 mil, montante que poderá ser utilizado para ressarcimento de eventuais prejuízos identificados ao longo da investigação.
Esquema utilizava informações falsas
Segundo a Polícia Federal, o esquema consistia na utilização de informações falsas para caracterizar indevidamente determinadas pessoas como produtores rurais, permitindo que elas tivessem acesso a financiamentos voltados ao agronegócio, setor que possui linhas de crédito específicas e condições diferenciadas de financiamento.
A investigação busca identificar a extensão das irregularidades, o volume total de recursos liberados e a participação de cada um dos envolvidos no suposto esquema fraudulento.
Crimes investigados podem resultar em até 19 anos de prisão
Os investigados poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, pelos crimes de obtenção de financiamento mediante fraude, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Somadas, as penas podem chegar a 19 anos de prisão, além do pagamento das multas previstas na legislação.
O nome da operação, Terra Falsa, faz referência justamente ao núcleo central das investigações, relacionado ao uso de informações fraudulentas para enquadrar pessoas como produtores rurais e viabilizar o acesso indevido a linhas de crédito destinadas ao financiamento de atividades agropecuárias.
Investigações continuam
A Polícia Federal informou que as investigações continuam e novas diligências poderão ser realizadas para aprofundar a apuração dos fatos, identificar outros possíveis beneficiários do esquema e rastrear a movimentação dos recursos obtidos por meio dos financiamentos sob suspeita.
A operação reforça a atuação dos órgãos de controle e fiscalização no combate a fraudes financeiras que afetam programas de crédito voltados ao desenvolvimento econômico e à produção rural, garantindo maior transparência e segurança na aplicação dos recursos disponibilizados ao setor.
Com a continuidade das investigações, a expectativa é esclarecer completamente a dinâmica do suposto esquema e responsabilizar os envolvidos, caso as irregularidades sejam confirmadas pela Justiça.
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