Quebradeiras de coco são reconhecidas como patrimônio cultural nacional

Quebradeiras de coco

Quebradeiras de coco são reconhecidas como patrimônio cultural nacional

Quebradeiras de coco passam a integrar oficialmente o patrimônio cultural brasileiro. O reconhecimento fortalece a valorização dos povos tradicionais, da cultura popular e do extrativismo sustentável no Tocantins.

O reconhecimento do ofício das quebradeiras de coco babaçu como manifestação da cultura nacional representa uma conquista histórica para milhares de mulheres que há décadas preservam tradições, garantem o sustento de suas famílias e contribuem para a conservação ambiental em diversas regiões do país. A medida foi oficializada por meio da Lei Federal nº 15.431, anunciada durante evento em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, realizado em Brasília, no último dia 10 de junho.

A nova legislação contempla as trabalhadoras dos estados do Tocantins, Maranhão, Piauí e Pará, reconhecendo oficialmente a importância cultural, social, econômica e ambiental da atividade desenvolvida por essas mulheres. No Tocantins, onde a prática está profundamente ligada à identidade de diversas comunidades tradicionais, o anúncio foi recebido com entusiasmo pelo Governo do Estado, que destacou a relevância do reconhecimento para a valorização dos povos tradicionais.

Por meio da Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot), o Governo do Tocantins celebrou a conquista e reafirmou o compromisso com políticas públicas voltadas à proteção dos saberes ancestrais e ao fortalecimento das comunidades que dependem do extrativismo sustentável.

Quebradeiras de coco preservam cultura e tradição

As quebradeiras de coco babaçu integram os chamados povos e comunidades tradicionais, grupos que mantêm modos de vida baseados em conhecimentos transmitidos ao longo de gerações. Essas mulheres desempenham um papel fundamental não apenas na economia de suas regiões, mas também na preservação dos recursos naturais e na manutenção de práticas culturais centenárias.

No Tocantins, a atividade concentra-se principalmente na região norte do estado, especialmente no Bico do Papagaio, área conhecida pela grande presença de babaçuais. A palmeira babaçu é uma espécie nativa que possui enorme importância econômica e ambiental, fornecendo matéria-prima para diversos produtos e contribuindo para a sustentabilidade das comunidades rurais.

O secretário de Estado dos Povos Originários e Tradicionais, Ercivaldo Xerente, destacou que a nova legislação representa um marco na valorização dessas trabalhadoras e de seus conhecimentos tradicionais.

Segundo ele, o reconhecimento nacional simboliza o respeito à trajetória de resistência construída por gerações de mulheres que transformaram o extrativismo em uma ferramenta de sobrevivência, preservação ambiental e fortalecimento cultural.

Extrativismo sustentável fortalece comunidades

A atividade das quebradeiras de coco babaçu envolve um processo que vai muito além da simples coleta do fruto. O trabalho começa com a busca dos cocos nos babaçuais, segue com a quebra artesanal utilizando técnicas tradicionais e culmina no aproveitamento integral da matéria-prima.

Do coco babaçu são extraídos diversos produtos utilizados no cotidiano das comunidades e comercializados em mercados locais e regionais. Entre eles estão o óleo de babaçu, empregado na culinária e na indústria cosmética; o carvão vegetal; a farinha; o sabão artesanal; além de itens produzidos para o artesanato.

Outro aspecto importante da atividade é seu caráter sustentável. Diferentemente de modelos econômicos que promovem a degradação ambiental, o extrativismo do babaçu é considerado uma prática de baixo impacto, uma vez que não exige o desmatamento da vegetação nativa.

Especialistas apontam que o manejo tradicional realizado pelas quebradeiras contribui para a conservação dos ecossistemas e para a manutenção da biodiversidade.

Reconhecimento amplia valorização nacional

Além do valor econômico e ambiental, as quebradeiras de coco babaçu representam um símbolo de resistência feminina. Ao longo das últimas décadas, elas se organizaram em associações, cooperativas e movimentos sociais para defender seus direitos, lutar pelo acesso aos territórios tradicionais e garantir melhores condições de trabalho.

Com a sanção da Lei Federal nº 15.431, o Brasil passa a reconhecer oficialmente a relevância dessas mulheres para a formação cultural do país. A medida amplia a visibilidade do trabalho realizado pelas quebradeiras e reforça a necessidade de políticas que assegurem a proteção dos babaçuais, a valorização dos saberes tradicionais e o fortalecimento das comunidades que dependem dessa atividade.

A conquista também coloca em evidência a importância da economia sustentável e do papel desempenhado pelas mulheres na preservação ambiental. Ao unir geração de renda, conservação dos recursos naturais e manutenção da cultura popular, as quebradeiras de coco babaçu se consolidam como protagonistas de uma história marcada pela resistência, pela organização comunitária e pelo compromisso com as futuras gerações.

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