Vozes de Ébano emociona público no Festival Akwaaba em São Paulo

Vozes de Ébano

Vozes de Ébano

Vozes de Ébano encerrou sua participação no Festival Akwaaba, em São Paulo, com uma apresentação marcada por ancestralidade, resistência e valorização da cultura negra produzida no Tocantins.

A força da música, da ancestralidade e da resistência feminina negra ecoou no palco do Centro Cultural São Paulo durante o encerramento do Festival Akwaaba. Representando o Tocantins e a produção cultural do Norte do Brasil, o grupo Vozes de Ébano protagonizou uma apresentação emocionante que marcou o encerramento da programação do evento promovido pela Fundação Cultural Palmares.

Formado pelas cantoras Cinthia Abreu, Fran Santos e Malusa, o grupo apresentou o espetáculo Minha Voz é Resistência, uma performance que ultrapassa os limites de um show musical e se transforma em uma experiência artística construída a partir de memórias, identidades, afetos e histórias de luta das mulheres negras brasileiras.

A apresentação reuniu música, poesia, performance cênica e narrativas de resistência em um espetáculo que dialogou diretamente com a proposta do Festival Akwaaba, evento voltado ao fortalecimento das conexões entre África, Brasil e diáspora africana.

O grupo tocantinense levou ao palco canções que abordam ancestralidade, pertencimento, empoderamento feminino, combate ao racismo e valorização da cultura negra, emocionando o público presente.

Vozes de Ébano leva o Tocantins ao cenário nacional

Mais do que interpretar músicas, as artistas construíram uma narrativa coletiva capaz de despertar reflexões sobre a trajetória histórica da população negra no Brasil e sobre a importância da arte como instrumento de transformação social.

Para a cantora Cinthia Abreu, participar de um evento nacional como o Festival Akwaaba representa uma conquista não apenas para o grupo, mas também para a cultura produzida no Tocantins.

Segundo ela, estar em um dos principais palcos culturais do país foi uma oportunidade de mostrar que a produção artística do Norte brasileiro possui qualidade, identidade própria e merece ocupar espaços de destaque no cenário nacional.

“Somos mulheres negras do Norte do Brasil, de um território que muitas vezes ainda é invisibilizado nas grandes programações nacionais. Subir naquele palco foi afirmar que a nossa voz existe, resiste e também constrói a história da cultura negra brasileira”, destacou a artista.

Ancestralidade e pertencimento marcaram a apresentação

A cantora Fran Santos ressaltou que o espetáculo nasce das experiências vividas pelas integrantes do grupo, mas também dialoga com a realidade de milhares de mulheres negras espalhadas pelo país.

Para ela, resistência não significa apenas enfrentamento, mas também celebração da vida, do amor, da beleza e da continuidade das tradições culturais herdadas das gerações anteriores.

Durante a apresentação, essa mensagem ficou evidente em cada música, em cada gesto e em cada palavra compartilhada com o público.

A artista destacou ainda que o encontro com representantes de diferentes territórios da diáspora africana reforçou o sentimento de pertencimento e fortaleceu o compromisso do grupo com sua missão artística e social.

Momento emocionante homenageou Elza Soares

Um dos momentos mais emocionantes da participação do Vozes de Ébano foi relatado pela cantora Malusa. Ela contou que, durante a passagem de som, recebeu a informação de que a lendária cantora Elza Soares já havia se apresentado naquele mesmo palco décadas atrás.

A descoberta trouxe uma carga emocional ainda maior para a apresentação.

“Quando cantamos, não cantamos sozinhas. Cantamos com nossas mães, avós, ancestrais e com tantas mulheres negras que vieram antes de nós”, afirmou.

A emoção também tomou conta do público que acompanhou o espetáculo. Entre aplausos, registros em vídeo e momentos de intensa conexão com a apresentação, espectadores destacaram a potência artística e a importância da mensagem transmitida pelo grupo.

Festival fortalece representatividade cultural

A contadora Letícia Santos definiu o show como uma experiência transformadora.

“Foi um show muito forte. A gente sente que não é apenas música, é uma experiência. As vozes delas atravessam a gente porque falam de identidade, orgulho e pertencimento”, relatou.

Já a servidora pública e ativista social Gabrielle Dias destacou a relevância de ver artistas tocantinenses ocupando um espaço de projeção nacional.

Segundo ela, a participação do Vozes de Ébano demonstra a riqueza da cultura negra produzida fora dos grandes centros e reforça a diversidade cultural existente no Brasil.

A presença do grupo no Festival Akwaaba também amplia o debate sobre descentralização cultural. Ao levar ao palco uma produção artística nascida em Palmas, o Vozes de Ébano contribui para fortalecer a representatividade do Norte brasileiro nos circuitos culturais nacionais e internacionais.

Em um cenário onde artistas de regiões periféricas ainda enfrentam dificuldades para alcançar visibilidade, a participação no festival simboliza uma importante conquista para a cultura tocantinense.

Realizado pela Fundação Cultural Palmares, o Festival Akwaaba reuniu durante sete dias artistas, intelectuais, pesquisadores, lideranças e empreendedores em uma programação dedicada às conexões afro-diaspóricas.

Ao encerrar sua participação no festival, o Vozes de Ébano deixou uma mensagem clara: a arte produzida por mulheres negras continua sendo instrumento de memória, resistência e transformação.

Em São Paulo, diante de um público diverso e atento, o grupo tocantinense mostrou que cantar também é um ato político, uma forma de preservar histórias, fortalecer identidades e anunciar futuros possíveis.

E foi exatamente isso que o Vozes de Ébano fez ao subir ao palco do Festival Akwaaba: transformou voz em resistência, memória em arte e ancestralidade em esperança.

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