Babaçu: Governo do Tocantins amplia apoio às quebradeiras de coco e fortalece cadeia da sociobiodiversidade
Reconhecimento nacional das quebradeiras de coco babaçu fortalece ações do Governo do Tocantins voltadas à geração de renda, preservação ambiental e valorização das comunidades tradicionais.
O Governo do Tocantins tem ampliado as ações de fortalecimento da cadeia produtiva do babaçu, com investimentos voltados à capacitação, à bioeconomia e à valorização das comunidades extrativistas. As iniciativas ganharam ainda mais destaque com a sanção da Lei Federal nº 15.431, que reconhece oficialmente o ofício das quebradeiras de coco babaçu como manifestação da cultura nacional.
A nova legislação contempla trabalhadoras dos estados do Tocantins, Maranhão, Piauí e Pará, reforçando a importância social, econômica e cultural da atividade desenvolvida por milhares de mulheres que vivem do extrativismo do babaçu. O reconhecimento também amplia a visibilidade de um trabalho tradicional que contribui para a preservação de saberes transmitidos entre gerações.
Babaçu fortalece renda e preservação ambiental no Tocantins
No Tocantins, a cadeia produtiva do babaçu está concentrada principalmente na região do Bico do Papagaio e envolve cerca de 5 mil famílias. Além de representar uma importante fonte de renda para comunidades rurais e tradicionais, a atividade também desempenha papel relevante na conservação ambiental e na valorização da sociobiodiversidade.
Entre as principais ações desenvolvidas pelo Estado está o Projeto de Fortalecimento das Cadeias de Valor da Sociobiodiversidade, executado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). A iniciativa busca impulsionar atividades sustentáveis, ampliar o acesso dos produtores a novos mercados e agregar valor aos produtos derivados do babaçu e de outras espécies nativas.
Um dos grupos beneficiados pelo projeto é a Associação da Reserva Extrativista do Extremo Norte do Tocantins (Arent), localizada no município de Carrasco Bonito. A entidade recebeu capacitações técnicas e equipamentos destinados à produção de óleo extravirgem de babaçu, fortalecendo a geração de renda e a organização produtiva das famílias envolvidas.
Reconhecimento fortalece políticas públicas para o babaçu
O governador Wanderlei Barbosa destacou que o reconhecimento nacional das quebradeiras de coco fortalece as políticas públicas voltadas às comunidades tradicionais e ao desenvolvimento sustentável.
Segundo o governador, a atividade representa uma importante herança cultural para milhares de famílias tocantinenses e desempenha papel fundamental na economia de diversas comunidades rurais. Ele ressaltou ainda a necessidade de incentivar e preservar essa riqueza cultural e produtiva.
Além do fortalecimento da produção, a Seagro mantém há três anos uma parceria com o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), da França, voltada à valorização dos conhecimentos tradicionais das comunidades extrativistas e ao desenvolvimento das cadeias de valor da sociobiodiversidade.
Babaçu impulsiona inovação e educação nas comunidades
O trabalho reúne agricultoras, agricultores familiares e quebradeiras de coco babaçu da região do Bico do Papagaio, envolvendo integrantes da Arent, do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e de associações de mulheres extrativistas.
Como resultado dessa cooperação, foram desenvolvidos os jogos pedagógicos “Palmeira do Babaçu” e “Coletando Futuro”. Os materiais educativos retratam a realidade das comunidades tradicionais, da agricultura familiar e da cadeia produtiva do babaçu, utilizando metodologias voltadas à educação e à valorização dos conhecimentos locais.
Os jogos serão apresentados oficialmente no próximo dia 30 de junho, na sede da Seagro, em Palmas. As iniciativas também estimulam a inovação e a troca de experiências entre comunidades, ampliando oportunidades para outras cadeias produtivas da sociobiodiversidade tocantinense, como baru, macaúba e jatobá.
Reserva Extrativista mantém tradição do babaçu
Na Reserva Extrativista do Extremo Norte do Tocantins, o babaçu continua sendo uma das principais fontes de sustento para centenas de famílias. Criada em 1992, a reserva conta atualmente com cerca de 220 famílias cadastradas por meio da associação que representa os extrativistas da região.
A indígena Josiane Lima dos Santos, que acompanha o trabalho desenvolvido pela associação desde 2007, destaca que praticamente todas as partes da palmeira são aproveitadas. Segundo ela, da atividade são produzidos óleo, azeite extraído a frio, farinha do mesocarpo e carvão, além do aproveitamento da palha e dos talos, reduzindo desperdícios e fortalecendo a sustentabilidade da produção.
Com aproximadamente 5 mil famílias envolvidas na cadeia produtiva do babaçu, o Tocantins consolida a sociobiodiversidade como uma estratégia de desenvolvimento sustentável, geração de renda e preservação dos conhecimentos tradicionais que integram a identidade cultural do estado.
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