Comissão da Câmara aprova moção de repúdio a decisão que concedeu perdão judicial à mãe de Henry Borel
Parlamentares criticam decisão judicial que concedeu perdão a Monique Medeiros e reacendem debate sobre proteção à infância e aplicação do perdão judicial.
A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou uma moção de repúdio à decisão da juíza Elizabeth Machado Louro, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, morto em março de 2021.
A manifestação dos parlamentares ocorreu após a repercussão da sentença que isentou Monique de punição pelo crime de tortura por omissão. Na avaliação dos deputados que apoiaram a moção, a decisão gera preocupação diante da gravidade do caso e do impacto social provocado pela morte da criança, que mobilizou o país e levou à criação da Lei Henry Borel, voltada à proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica.
O que é o perdão judicial
O perdão judicial é um instrumento previsto na legislação brasileira que permite ao magistrado deixar de aplicar uma pena em situações específicas previstas em lei, mesmo quando há reconhecimento de responsabilidade. Trata-se de uma medida excepcional, utilizada quando o juiz entende que as consequências sofridas pelo réu já representam uma punição suficientemente significativa.
No caso de Monique Medeiros, a magistrada considerou que ela já havia sofrido consequências pessoais e emocionais decorrentes dos fatos, entendimento que fundamentou a concessão do benefício.
A decisão provocou reações de parlamentares e entidades ligadas à defesa dos direitos das crianças. Durante a reunião da comissão, deputados argumentaram que o caso exige uma resposta firme do sistema de Justiça e afirmaram que a medida pode transmitir à sociedade uma sensação de impunidade.
Caso Henry Borel teve repercussão nacional
Henry Borel morreu aos 4 anos de idade após dar entrada em um hospital da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com múltiplas lesões pelo corpo. As investigações apontaram indícios de agressões sofridas pela criança e levaram ao indiciamento de Monique Medeiros e do então companheiro dela, o ex-vereador Dr. Jairinho.
O caso teve ampla repercussão nacional e se tornou um dos episódios mais emblemáticos relacionados à violência contra crianças no Brasil nos últimos anos. A comoção provocada pela morte do menino impulsionou discussões sobre mecanismos de proteção à infância e resultou na aprovação da Lei Henry Borel.
A legislação criou instrumentos de proteção para crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e familiar, fortalecendo medidas preventivas e ampliando a atuação da rede de proteção em situações de risco.
Moção tem caráter político e simbólico
A moção aprovada pela Comissão de Segurança Pública possui caráter político e simbólico, sem qualquer efeito jurídico sobre a decisão da Justiça. Ainda assim, o documento representa o posicionamento formal do colegiado e reforça as críticas de parte do Parlamento à sentença.
Deputados favoráveis à manifestação afirmaram que a gravidade do caso exige reflexão sobre a aplicação de benefícios legais em situações envolvendo violência contra crianças. O entendimento defendido pelos parlamentares é que a sociedade espera respostas firmes em crimes dessa natureza.
Por outro lado, especialistas em Direito lembram que o perdão judicial é um mecanismo previsto em lei e sua aplicação depende da análise individual de cada processo, cabendo ao magistrado avaliar as circunstâncias específicas dos fatos.
Debate jurídico continua
O tema segue gerando debates entre juristas, parlamentares, entidades de defesa da infância e representantes da sociedade civil. Entre os pontos discutidos estão os limites da aplicação do perdão judicial e a interpretação dos requisitos legais para sua concessão em casos de grande repercussão social.
A defesa de Monique Medeiros sustenta que a decisão foi tomada com base nos critérios previstos pela legislação e destaca que a magistrada avaliou as circunstâncias específicas do caso ao conceder o benefício.
Enquanto isso, a moção aprovada pela Câmara reforça a pressão política em torno do episódio e mantém em evidência as discussões sobre proteção à infância, responsabilização criminal e o papel do Poder Judiciário em casos que despertam forte comoção pública.
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