Lula G7: presidente defende industrialização de minerais críticos e mais investimentos em países emergentes
Durante balanço da Cúpula do G7, presidente destacou a necessidade de agregar valor aos minerais críticos, ampliar investimentos em países em desenvolvimento e fortalecer a cooperação internacional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta quarta-feira (17) um balanço de sua participação na Cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, e reforçou a defesa de uma nova lógica para o desenvolvimento econômico global. Em conversa com jornalistas em Genebra, na Suíça, o presidente destacou temas como investimentos em países emergentes, exploração de minerais críticos, inteligência artificial e combate às desigualdades.
Segundo Lula, os encontros com as principais economias industrializadas do mundo representam uma oportunidade para levar aos países mais ricos as demandas e os desafios enfrentados pelas nações em desenvolvimento.
“Cada reunião do G7 é uma oportunidade para discutir os avanços e os desequilíbrios da ordem econômica, política e social, especialmente diante das transformações tecnológicas e das necessidades específicas de cada país”, afirmou.
Lula G7 defende industrialização de minerais críticos
Um dos temas centrais abordados pelo presidente foi a exploração de minerais críticos e terras raras, recursos considerados estratégicos para a transição energética e para o avanço tecnológico mundial. Lula defendeu a abertura para investimentos estrangeiros, mas condicionou essas parcerias à geração de valor dentro dos países que possuem as reservas minerais.
“Queremos parceiros para investir, comprar nossos produtos e participar da exploração desses minerais, mas desde que a industrialização aconteça em nosso país”, declarou.
O presidente argumentou que o Brasil não pretende repetir modelos econômicos do passado, marcados pela exportação de matérias-primas sem o devido desenvolvimento industrial.
“Não queremos repetir o ciclo do ouro, em que tudo era levado embora e ficávamos sem riqueza. O mesmo aconteceu com o minério de ferro. Precisamos transformar nossos recursos em desenvolvimento, emprego e tecnologia”, ressaltou.
Lula G7 cobra mais investimentos em países emergentes
Durante o balanço, Lula também defendeu uma maior participação dos países ricos na promoção do desenvolvimento global. Para ele, a economia mundial precisa criar novos mercados consumidores em regiões como América Latina, África e Ásia.
Segundo o presidente, o fortalecimento dessas economias beneficia não apenas os países emergentes, mas também as nações desenvolvidas.
“Os novos consumidores estão na Índia, na China, na África e na América Latina. Para que essas pessoas possam consumir, é preciso investimento, emprego e renda. O mundo precisa crescer de forma equilibrada”, afirmou.
Lula destacou ainda que o crescimento econômico concentrado em poucos países não é suficiente para sustentar a economia global no longo prazo.
“Não adianta crescer apenas para os Estados Unidos, para a Alemanha ou para a França. É necessário que outros países também se desenvolvam para que possam consumir e movimentar a economia mundial”, acrescentou.
Inteligência artificial e proteção de crianças foram temas do debate
Outro assunto levado pelo Brasil às discussões internacionais foi a regulação do ambiente digital. Lula afirmou que apresentou aos líderes do G7 iniciativas adotadas pelo país para proteger crianças e adolescentes na internet.
Entre elas, destacou a restrição do uso de celulares nas escolas e a criação de mecanismos de proteção digital voltados ao público infantojuvenil.
“Fiz questão de mostrar duas iniciativas importantes do Brasil: a proibição do telefone nas escolas e o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital. São medidas que considero referências importantes para o debate internacional”, explicou.
Brasil adere a declarações e amplia negociações internacionais
Ao final da cúpula, os países participantes aprovaram oito declarações conjuntas. O Brasil aderiu a três delas, segundo informou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Os documentos tratam da segurança digital para menores de idade, da cooperação internacional no combate ao câncer e do enfrentamento ao narcotráfico.
Além das sessões oficiais do G7, Lula manteve encontros bilaterais com importantes líderes internacionais, entre eles Emmanuel Macron, Volodymyr Zelensky, autoridades da União Europeia, representantes do Egito, da Suíça e do Japão.
Um dos resultados destacados pelo governo foi o anúncio do início das negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e o Japão, previsto para ser lançado oficialmente durante a próxima cúpula do bloco sul-americano, marcada para o fim de junho, em Assunção, no Paraguai.
Outro avanço citado pelo Itamaraty foi a aprovação, pelo Parlamento suíço, do acordo comercial entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.
Para o governo brasileiro, as negociações reforçam a estratégia de ampliação das relações comerciais e de atração de investimentos internacionais, ao mesmo tempo em que fortalecem a posição do Brasil nos debates sobre desenvolvimento econômico, tecnologia e sustentabilidade.
Portal Jaciara Barros — Quem acontece aparece aqui!


